Estratégias de Comunicação

Friday, June 09, 2006

Aula 19 : Visonamento do filme "Manobras na Casa Branca"

“Manobras na Casa Branca” veio no seguimento de um outro filme que vimos anteriormente, mas este comparado com o “Boris” não tem quase nada haver porque é muito mais sério a nível da manipulação e alteração da realidade, apesar de ser uma ficção.
Penso mesmo que um dos grandes méritos deste filme é pôr uma pessoa a pensar “Será que isto acontece no nosso dia- a –dia e somos manipulados e governados por gente assim? Sem escrúpulos ou moral em que tudo vale para se atingir os objectivos?”Devo dizer que achei isso deveras assustador e não deixará certamente ninguém tranquilo ao sabermos destas “manobras pelo poder”.
Quanto á sua história esta baseia-se em factos reais, ou seja, quando o filme começa com a noticia de que o Presidente norte-americano está envolvido num escândalo sexual a 11 dias das eleições e isto poderia prejudicar a sua reeleição, naturalmente estava a referir-se ao que aconteceu caso Bill Clinton – Mónica Lewinsky, se bem que no caso real não faltassem 11 dias. Mas no filme faltavam 11 dias e então umas pessoas que faziam parte do aparelho politico-partidário do Presidente contratam Conrad Brean especialista em “manobras de diversão” para os ajudar a sair desta “embrulhada”.
Quando Conrad Brean começa a pensar no que seria melhor para distrair as pessoas, a comunicação social e o outro candidato, tem a ideia de criar uma guerra fictícia com a Albânia e para tal vai falar com um produtor (Stanley Moss) para o auxiliar a criar esta guerra que tinha como objectivo distrair tudo e todos durante esses 11 dias.
Era uma guerra ridícula porque nem Conrad Brean nem Stanley Moss sabiam nada de nada sobre a Albânia, chegando ao ponto caricato de Stanley Moss perguntar a Conrad Brean “Porquê uma guerra com a Albânia?” e Conrad Brean responde “E porque não?”Aqui podíamos pensar : como é possível umas eleições serem mais importantes que a soberania de um país e a vida de milhares de pessoas que nada têm haver com a vida interna americana?
Dois exemplos reais de manobras de diversão:
- Aliás, os EUA têm um episódio muito curioso na Presidência Reagan em que quando morreram 240 soldados em Beirute, o presidente americano deu ordem para invadir Granada, uma ilha insignificante mas que serviu para distrair a comunicação social do desastre que tinha sido aquela operação militar em Beirute.

- Na mesma linha actuou Bill Clinton quando no auge do seu escândalo sexual mandou bombardear uma aldeia remota no Sudão por supostamente estar lá escondido Bin Laden.Estas acções apenas têm o propósito de desviar as atenções do que realmente se passa “dentro de casa”.
A verdade é que mal se começou com a fuga de informação de que os EUA poderiam entrar em guerra com a Albânia por estes supostamente albergarem grupos terroristas, a noticia do escândalo sexual do Presidente passou logo para o meio do jornal e aqui viram logo que a estratégia estava a dar resultados.

No entanto começam a surgir contratempos que põe em causa essa estratégia:

- quando Conrad Brean é interpelado pela CIA para parar com o que estava a fazer porque a Albânia não era e nunca foi uma ameaça para os EUA;
- o facto de os albaneses terem chegado a acordo com os EUA e já não ia haver guerra;
- quando Stanley Moss tem a ideia de um soldado dos EUA ficou prisioneiro nas linhas inimigas, ficam admirados de que a pessoa que escolheram era um condenado com problemas psíquicos;
- quando o avião que supostamente iria levar o soldado Schumman se despenha isto poderia descredibilizar o Presidente, porque já não iam chegar a tempo de o apresentar á imprensa e seria considerada uma promessa não cumprida do Presidente de o trazer de regresso a casa;
- Ou ainda quando esse mesmo prisioneiro é abatido por um agricultor; o certo é que nada disto abalou Stanley Moss, porque há uma altura que o próprio Conrad Brean parece baixar os braços mas é o produtor que insiste levar a farsa por diante e chega mesmo a dizer “Isto só acaba quando eu disser”.
E assim foi, com um condenado a ter um funeral com honras de Estado e o Presidente a ser reeleito com o seu escândalo sexual a ser atirado para as “calendas gregas”, sem que ninguém já se lembrasse disso.No entanto já no fim o produtor acaba por ser assassinado por não respeitar aquilo que havia sido acordado ao inicio e que ia contra a regra de ouro do SD Conrad Brean, de que ninguém poderia jamais saber sobre aquilo que fizeram.
Obviamente que este filme é uma SÁTIRA/PARÓDIA/RIDICULARIZAÇÃO porque na vida real seria impossível aconteceram determinadas coisas que se passaram neste filme, mas o importante é vermos a facilidade com que a comunicação social e as pessoas podem ser manipuladas por alguém que tendo pouco mais de um telefone, mas tendo os conhecimentos adequados para a situação, pode controlar toda a informação que sai nos jornais sem que as pessoas saibam que estão a ser manipuladas ao pormenor.

Conrad Brean interpreta na perfeição aquilo que é ser um Spin Doctor a sério:

- Discreto, actua sempre na sombra dos acontecimentos;- o lugar que ocupa na hierarquia não é regulamentado, á excepção de algumas pessoas todas as outras não sabiam quem era Conrad Brean quando este entra no início do filme naquela sala escura;
- não há atribuição directa entre a pessoa e o que se faz. Porquê? Porque muitas dessas actividades são ilegais ou, pelo menos, eticamente reprováveis; pensa-se que são eles que fazem…
- era um especialista em criar «manobras de diversão»;
- tinha acesso directo ao poder e uma relação de extrema confiança com esse poder;
- quebrava todas as regras - «vale tudo»;
- conhece os meandros da comunicação, da política e do marketing;
- criou e seleccionou as mensagens com a ajuda do produtor que o Presidente iria difundir depois;
- em todo o filme a única decisão (por sinal insignificante!)que se sabe que o Presidente tomou foi a cor do gato para o filme sob a suposta guerra na Albânia. Isto quer dizer que por vezes o Spin Doctor tem tanto poder que até manda mais que o próprio Presidente.

Ficha do filme:

Título original: “Wag the dog”Título em Português: “Manobras na Casa Branca”Realizador: Barry LevinsonDuração: 93 minutosBaseado no livro “American Hero”, de Larry BeynhartDireitos em Portugal: PRÍSVIDEODistribuição EUA: New Line Cinema (TWC)Ano: 1998(site de referência: http://www.wag-the-dog.com/)(notas: 20/05/06)

Outros links de interesse:

http://www.publico.clix.pt/docs/seriey3/filmes/04.manobrasNaCasaBranca/amanha.htm

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